Desculpe minha ausência

13 de julho de 2026 0 Por Leandro Marçal

Você não tem obrigação de entender, mas me sinto obrigado a explicar. A gente se conhece faz tempo, a gente compartilha tantas histórias, né? Andei sumido e não foi a primeira vez, talvez não seja a última. Difícil falar disso, mas tive minhas questões, você sabe, aquelas questões. 

Me afastei, me recolhi, me isolei. Não me sentia merecedor de interações sociais. Sou homem, mas reconheço a fragilidade masculina de não me abrir, não falar, não expor minhas angústias paralisantes, me fingir de forte e me virar sozinho, mesmo me sentindo tão incapaz de ser eu. 

Nesse meio-tempo, tive a certeza de que essas neuroses eram irreversíveis, me julguei caso perdido, não queria incomodar ninguém. Me rendi à raridade de ficar quieto, calado, recluso, na minha. E as pessoas perceberam, claro que perceberam. Queriam saber o que acontecia, às vezes mais interessadas em dar conselhos do que em me ouvir. 

Não respondi mensagens, despistei amizades, sabotei relacionamentos, adiei os dias. Me vi mau filho, mau irmão, mau tio, mau amigo, mau namorado, mau profissional. Má pessoa. Ninguém merecia o castigo de conviver comigo. Lidei sozinho com o silêncio barulhento na cabeça. 

Continuei trabalhando, cumpri compromissos pontualmente, segui a alimentação razoavelmente saudável, nadar três vezes por semana me manteve menos atormentado, cuidei da espiritualidade mais por desencargo de consciência que por convicção. Os tempos de ideações esquisitas ficaram para trás, admito. Mas não tive vontades. 

Você vai me dizer que eu precisava de ajuda, vou responder que sabia disso, e você não vai aceitar meu papo de mal conseguir pagar as contas, de mal conseguir pisar na calçada. Ainda não estou 100%, sei lá quando foi a última vez que estive 100%. Confia em mim: melhorei, olhei pra dentro, cuidei de mim. Aos trancos e barrancos, é verdade. Nada de recolocar as culpas numa pasta bem lacrada, escondida no fundo da gaveta. Elas seguem aqui dentro, perdi o medo de encará-las, ficaram diluídas entre pontos fortes e negligenciados nos dias de afastamento de mim. 

Voltei, sem nunca ter ido embora. Estou aqui. Vivão e vivendo. Um dia de cada vez. Passo a passo. Te agradeço por seguir do meu lado, mesmo à distância. Te agradeço por não desistir de mim, mesmo depois das minhas desistências.